“O Alienista” em versão simplificada: erro grotesco ou uma grande sacada?

Nesta última semana um dos assuntos mais discutidos nos veículos culturais é a nova edição de “O Alienista”, de Machado de Assis, que será lançada em junho. O foco em debate trata da linguagem utilizada, adaptada pela escritora Patricia Engel, para um vocabulário mais atual. O projeto contou com o apoio da lei de incentivos fiscais. Há ainda patrocínio para a versão de “A Pata da Gazela”, de José de Alencar.

Machado de Assis (Foto: Reprodução)

Machado de Assis (Foto: Reprodução).

A tiragem de 600 mil exemplares será distribuída, mas nem todos estão de acordo com a novidade. Um dos problemas é detectado pelo especialista em Literatura, João Cezar de Castro, em artigo publicado no site do Estadão/Cultura:

“Por exemplo, Machado escreveu ‘sagacidade’. Pois bem: a equipe coordenada pela escritora ‘traduziu’ o vocábulo para ‘esperteza’. O absurdo do procedimento praticamente dispensa comentários. ‘Esperteza’ evoca o célebre jeitinho brasileiro e seu sentido nada tem a ver com o contexto das quatro ocorrências da palavra na obra”, comenta.

Com a popularização das redes sociais, educadores questionam os impactos da forma abreviada – e muitas vezes errada – pela qual estudantes se comunicam. Esse fato é percebido no dia a dia das salas de aula e nos processos seletivos como vestibulares e ENEM. Fica a pergunta: vale a pena “sacrificar” a riqueza do texto original do autor?

Pelo visto, a discussão está longe de terminar.

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