Cadê meu Maracanã?

Conheci o estádio do Maracanã na década de 90. Não me lembro ao certo se em 92 ou 93. Do que me recordo? Flamengo 3 x 1 Goiás. E também não me lembro de muitos detalhes. Eu era um menino, visitando um “monstro de concreto” (que, obviamente, não me assustava, porém impressionava). Perguntava ao meu pai: “Onde está a bola?”. Acho que fomos “de cadeira”. No mais, a lembrança do meu saudoso avô, o velho Oswaldo, que nos acompanhou naquele dia.

Lá para 2000 eu retornei. Flamengo x América. Deu Mengão com gol de Pet. Até 2013 foram 5 ou 6 visitas ao estádio. Em nenhuma tive o privilégio de torcer com 150, 180 mil pessoas. Mas não importa. Era o Estádio Jornalista Mário Filho. Era o Maraca. Tudo bem que foram pucas vezes, mas em todas, um romance. O romântico e cultural Maracanã.

Maracanã no antigo formato (Foto: divulgação)

2013 foi uma porrada. Porrada na cultura do “torcer”. A FIFA torceu-re-torceu aquele monstro com seu tão aclamado padrão. Não me atrevo a decretar se foi/será ruim ou não. O fato é que a carteira de identidade do torcedor mudou com as reformas para a Copa do Mundo.  Até já rolou a das Confederações. Público bem diferente por sinal (assisti aos jogos pela TV). Nada de “banguelos”, nada do cabeludo com terço nas mãos, nada (ou quase nada) de não-brancos. Cadê o cara que rala em São Gonça? Cadê o universitário duro-pakas da Uerj? Cadê o morador da favela? Cadê o estudante da escola pública? O Maraca definitivamente mudou. Em quais sentidos? Não sei. Ainda é cedo para uma análise sólida. Mas fica a pergunta: esses torcedores voltarão? Teremos mais uma vez, na essência, o nosso Maraca? Torcer sentadinho, como em um teatro, é próprio de nossa cultura? Vamos esperar sentados para ver. Quem sabe um sobretudo europeu, nesse inverno, caia bem.

Novo maracanã

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