Encontro Nacional de Acervo Raro chega a sua 10ª edição

Gestão de acervos raros em debate (Imagem: Google)

O ENAR  – Encontro Nacional de Acervo Raro acontece entre os dias 7 e 8 de novembro, na Fundação Biblioteca Nacional, e comemora sua 10ª edição com a temática “Critérios de Raridade de Acervos Raros e Especiais”. Realizado pelo Plano Nacional de Recuperação de Obras Raras – PLANOR, da Fundação Biblioteca Nacional brasileira, o encontro busca discutir a realidade dos acervos raros existentes no país, bem como a troca de experiências entre profissionais curadores destas coleções. O evento é gratuito.

Local: Auditório Machado de Assis (Rua México, s/nº – Centro – Rio de Janeiro). Mais informações pelo e-mail planor@bn.br ou pelo telefone (21) 3095 3891.

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Crônica

Canção a dois

O vento corta a noite em chamas que ainda não se iniciou. Não pela falta da música ou pela coragem. Não pelos sussurros que ainda podem acontecer. Mas a chama dessa noite há de trazer combustão ao corpo que se apressa para queimar.

Os discos foram postos, lado a lado, um a um. Ainda é possível escolher o toque que irá embalar a noite. Ainda é possível a alteração, a mudança, o voltar atrás.

Mas não! Quero esse encontro. Almejo a esse momento pelos longos e cansados dias da minha vida. Os mais altos sonhos foram desenhados sob essa hora. Os ponteiros do relógio foram feitos para esse segundo a mais, vital e venenoso ao ser humano.

A terra seca, que recebe a chuva e se transforma em lama; o tempo que revela quem somos, com as marcas nem sempre desejadas. A música toca, como canção que não se quer escutar, cujos ouvidos são abertos à força. A faca que rasga a pele e faz escorrer o verme dos erros e dos acertos. Tudo está ali, flutuante e invisível, como as sete notas. A canção que revela oferece o medo e o alívio. A vida e a morte. O antes e o depois.

A esperada companhia fala comigo. De longe, talvez. Pondera que não deseja vir, que, quem sabe, será um erro. Insisto, choro, grito. Escancaro o peito e confesso como é importante para minha existência. De exausto, deito-me no sofá. Olho para o teto e as multiformas nas quais ele se transforma. De anjos a monstros, de paraísos a sepulturas. Passam-se algumas horas. Duas ou três. A mesma canção toca novamente. Sem esperanças, batem à porta. Apresso-me a atender. Ela está aqui. Peço que entre. Finalmente minh’alma chegou. E agora, finalmente, beberemos o amargo café dos imortais.

Imagem: Google