Fluxo das emoções*

O espetáculo “Solo em água fervente”, da Cia gaúcha Caracol de Danças e Cenas, foi apresentado, nos dias 22, 23 e 24 de junho, no Teatro Dulcina, na Cinelândia. Encenado pela bailarina e arte-educadora Maria Albers, a proposta é mostrar o “fluxo das emoções no corpo, onde movimentos são interpretados e tratados como líquidos carregados de emoções”.

A apresentação chama a atenção, em seu início, pela falta de movimentação. Ambiente sombrio, e uma figura inerte, que, a princípio, parece trata-se de uma estátua, parte do espaço cenográfico. Após longos minutos, a solista inicia lentos movimentos, que lembram um processo de “descongelamento”. “Solo em água fervente” não é um espetáculo colorido, e agradável aos olhos. Todavia, não deixa de expressar a beleza da reflexão, ou seja, a dança, neste caso, convida o expectador ao raciocínio íntimo.

Com figurino cor-de-pele, sob uma espécie de capa transparente de chuva, e um cenário envolto por uma cortina incolor que é deslocada pela dançarina, além de balões suspensos e cheios d’água, pode-se pensar em tudo.

Os movimentos perpassam pela suavidade, pelo impacto e, em certos momentos, pelo contorcionismo grotesco; um vasto vocabulário, complementado pelo uso bastante razoável do espaço em cena. A parte musical foi composta por quatro canções que variavam em seus ritmos. No restante, o silêncio era o tom predominante. “Vejo a pausa como um momento de vazio. O corpo é convidado à escuta. Os fluxos internos preenchem essa pausa-vazio e ao mesmo tempo inundam o corpo de sensações e sentidos. Fomos descobrindo que os fluxos internos, mais do que ajustes, são um movimento líquido”, destacou a coreógrafa Luciana Hoppe ao blog da Companhia.

A exibição encaminha-se para a parte final com a destruição dos balões suspensos, pela dançarina, em um momento que pode ser considerado uma ira/libertação. A água lançada ao chão, tornando-o escorregadio, reserva momentos de tensão por parte dos expectadores. O deslizar agressivo, o corpo molhado e as expressões, demonstram um ápice de sentimentos que se cruzam e emoções que afloram.

A apresentação tem a classificação livre e duração de 40 min. Texto/concepção: Luciana Hoppe (coreografia) – vencedora do Prêmio Açorianos de Dança 2011, em Porto Alegre. Trilha sonora: Cristiano Oliveira e Luciana Hoppe.

“Solo em água fervente” é resultado da primeira edição do Projeto Procuram-se Coreógrafos, lançado em novembro de 2010.

 

*Breve análise realizada, originalmente, como trabalho acadêmico.

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